Esses dias e acho que desde sempre, tenho me perguntado se algumas bandas são evangélicas, ou seja, se professam a fé em Cristo e se realmente revelam isso através de suas músicas.

Existem bandas cristãs como Third Day e Oficina G3 e cantores como André Valadão e Jeremy Camp que falam claramente de Deus em suas músicas, até citando passagens bíblicas. Muitas dessas músicas são usadas no momento de louvor coletivo de igrejas por todo o mundo. Até acho bonito saber que pessoas de várias denominações cantem as mesmas músicas no domingo à noite, dá uma idéia de que estamos todos no mesmo pensamento, um povão de Deus mesmo.
Mas existe também uma minoria cristã que prefere sair da “rotina gospel” e fazer uma música mais subjetiva e pessoal. Na verdade tenho visto cada vez mais bandas adotando o estilo independente e saindo da “adoração contemporânea” e fazendo música como der na telha, sem seguir um padrão, mas não deixando de falar sobre suas conversas com Deus e suas dúvidas espirituais.

Será que eles estão enganados? Será que estão nos enganando? Será que bandas como o Switchfoot e Sixpence None The Richer estão querendo só fama e glória? Eu prefiro não ir além do que os ouvidos podem ouvir.

Reza a lenda que Jon Foreman, vocalista do Switchfoot, disse num fórum da internet:

“Existe uma cisma entre o sagrado e o secular em nossas mentes modernas. A visão de que um pastor é mais ‘Cristão’ que um treinador de volei feminino é falsa e herética. A premissa que um lider de louvor é mais espiritual que um faxineiro é esnobe e falsa.(…) Algumas dessas [das nossas] canções são sobre redenção, outras sobre o pôr-do-sol, outras sobre nada em particular: escritas pelo simples prazer da música. Nenhuma dessas canções nasceu de novo, então por isso não existem músicas Cristãs. (…) julgando pelas Escrituras eu só posso concluir que nosso Deus está muito mais interessado em como eu trato os pobres e os oprimidos e os famintos que os pronomes pessoais que eu uso quando canto. (…) Eu tenho uma obrigação, entretanto, um débito que não pode ser pago pelas minhas decisões literárias. (…) Veja bem, uma canção que tenha as palavras: “Jesus Cristo” não é mais ou menos ‘Cristã’ que uma peça instrumental.” (notas minhas entre colchetes – leia mais clicando aqui)

Essa opinião do Jon resumiu muito do que eu já tentei organizar na minha cabeça. Talvez realmente não exista só um dom musical no corpo de Cristo, mas não dá pra colocar a agitação das músicas do Switchfoot no púlpito. E o amor aos que podem tropeçar por causa do rock? E a comunhão, onde vai parar?

Algumas igrejas americanas até tem usado músicas de bandas não cristãs no repertório do louvor (também aqui). Acho estranho, mas não tenho o que falar se o objetivo do louvor é atendido pela música, seja qual a origem tiver.

Não tenho uma opinião formada ainda sobre essa questão que levantei. Mas tenho uma visão de canções como as do Switchfoot. São canções sobre Deus, canções sobre Cristãos. Não são adoração explícitas visando a comunhão coletiva com Deus.
Eu, o Jon, e todos que pensam dessa forma podem estar errados, somos humanos mas a certeza é que compositores, intérpretes, treinadores e faxineiros podem louvar a Deus com o coração, seja o que estiverem fazendo. Só precisamos ter um norte quando falamos de adoração coletiva, precisamos ter certeza.
Mas mesmo assim, devemos fugir do preconceito que ronda nossas mentes falsamente fundamentalistas, achando que só o que é “inspirado” pode ser usado pra louvar a Deus.

Louvor, musical ou não, é algo que deve ser feito pelos seres humanos para Deus. É responsabilidade nossa, não de Deus.

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