Todo bom jogador de videogame da minha geração (e da anterior) enquanto jogava Super Mario Bros., já deve ter se deparado com o Chain Chomp, um ser que parece uma bola de prisioneiro com olhos, boca, dentes afiadíssimos e preso por uma corrente ao solo. Ele sempre tenta capturar Mario com sua metálica mordida.
Shigeru Myamoto, o criador do famoso encanador já declarou que esse personagem foi criado por causa de um cão muito bravo que tocava o terror no bairro japonês em que Myamoto morava.
Assim como Myamoto, eu também tenho um medo relacionado a games. Como um bom geek que sou, cresci jogando videogames. Desde pequeno, me assombrava a idéia de não conseguir desfazer as coisas que fazia. Nos games, quando você morre uma vida é descontada do contador e você volta ao início da fase.
Ainda imagino e tremo pensando se eu acordasse algum dia após dar uma imensa mancada e descobrisse que estaria novamente na metade do 2º ano do ensino médio. Ter que viver todo aquele tempo de novo, passar por todas as provas e provações, ainda tirando uma vida do contador de vidas, igual acontece com o Mario.
Quando criança, chegava até a brincar naqueles labirintos circulares pintados no chão que tinha nos parquinhos e quando chegava no final refazia todo o caminho, como se fosse um filme de trás pra frente. Até me lembro de dizer, às vezes verbalmente mesmo, o prefixo “des” para iniciar essa estranha mania.
Loucuras infantis à parte, esse objeto de medo para a versão mini de mim mesmo poderia ser de grande utilidade, caso se realizasse. Já pensou, investir na bolsa de valores e, se ao final de 5 anos você tiver perdido todo o dinheiro investido, poder fazer tudo voltar ao início e pronto: você teria outra chance igualzinha! Ou então um adolescente poder arriscar sua primeira investida com aquela gata e, se ela der o fora, puder voltar tudo, sem sofrer malhação de todo mundo nem nada, e ter outra chance com ela até conseguir conquista-la! Ou até que acabem os continues!
Eu já notei que, quando me vejo protegido pela possibilidade de tentativas, consigo melhorar meu desempenho, seja na vida profissional, acadêmica ou nos relacionamentos interpessoais. Se essa melhora não acontece, pelo menos a minha performance é melhor do que quando acabo desistindo de algo só porque tenho uma única chance para tentar fazer esse algo.
Será que eu penso assim porque jogo videogames? Ou será que jogo games porque identifico minhas loucuras ali naquele ambiente de milhões de chances? Acho que nunca saberei.

Arte do banner por: Lucas “Spider”

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