maio 2008


“Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de alguém; como dizes tu: Sereis livres? Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-me, porque a minha palavra não está em vós.” (João 8:31-37)

A Bíblia deixa bem claro que a salvação humana não é conseguida pelo despertamento em si, mas pela graça. Como foi dito antes, a verdade deve ser amada primeiro para ser conhecida e que o papel dela é de libertar a alma humana e a prepara para o encontro com a verdade, para que estejamos livres de impedimento para absorve-la.
Vemos o exemplo destes judeus que queriam matar Jesus porque se incomodavam com a verdade. A palavra de Jesus, que é a verdade não estava neles, não era aceita por eles. Se tivessem aceitado a verdade teriam sido libertos do pecado, mas não fizeram isso.

A grande conseqüência do conhecimento da verdade é a prática desta mesma verdade. E a recompensa disso tudo é o conhecimento mais profundo ainda da verdade.
Tudo isso, é um indício da existência de Deus e de sua íntima relação com a verdade, contrariando a opinião de vários pensadores ateus.

“Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração. E serei achado de vós…”(Jeremias 29:13-14)

A recompensa de se buscar a Deus é a mesma de se buscar a verdade. A quem o busca Ele oferece mais de si.

A minha conclusão como buscador da verdade é de que, felizmente, a verdade só pode ser encontrada por quem sente um impulso inicial a buscá-la (consciência), paga o preço por isso (renúncia), e se mantém firme mesmo quando a verdade dói (paixão pela verdade). O sensação de encontrar a verdade é a mesma de estar nos braços de Deus. Porque Ele é a verdade.

Em busca da verdade, já foi definida o que ela é. Agora a pergunta é: “De que forma posso encontrar a verdade?

Mesmo as pessoas que viram Jesus frente a frente não creram que ali estava se cumprindo a maior promessa de Deus para a humanidade. Mas outros que tiveram a coragem de aceitar a verdade, se viram cobertos de verdades por todos os lados.
A forma proposta por Sire para encontrarmos a verdade, usando as palavras de Jonh H. Newman, é usando a consciência. Algo dentro de nós que não é nem a razão, nem lógica, nem intuição: a consciência.

Um colega gnóstico me disse certa vez que devemos nos esvaziar de pensamentos e preconceitos para ouvirmos nossa consciência. Eu não concordo porque duvido da minha própria capacidade de esperar essa máquina processadora de sensações e pensamentos que tenho na cabeça diminuir seu ritmo para só então eu ouvir a verdade. (Apesar de não serem incomuns os momentos que penduro o cérebro no porta-chaves para assistir TV). Lendo as palavras de Sire fica claro que essa tal consciência é exatamente o campo de ação do Espírito Santo no ser de uma pessoa.

Logo após usar a consciência, o próximo passo seria a renúncia. Desfazer-se dos pensamentos anti-verdade é pré-requisito para desfrutar da verdade. É a morte do velho homem e o nascimento de um novo homem através da renovação da mente.

Então, usando a consciência, que Sire diz ser a forma de comunicação do homem com Deus, seríamos “descascados” para podermos ficar sensíveis à verdade quando ela chegasse. Ficaríamos sensíveis ao “sopro do Espírito Santo” e nos sentiríamos bem mais confortáveis com a presença da verdade.

Esses dias e acho que desde sempre, tenho me perguntado se algumas bandas são evangélicas, ou seja, se professam a fé em Cristo e se realmente revelam isso através de suas músicas.

Existem bandas cristãs como Third Day e Oficina G3 e cantores como André Valadão e Jeremy Camp que falam claramente de Deus em suas músicas, até citando passagens bíblicas. Muitas dessas músicas são usadas no momento de louvor coletivo de igrejas por todo o mundo. Até acho bonito saber que pessoas de várias denominações cantem as mesmas músicas no domingo à noite, dá uma idéia de que estamos todos no mesmo pensamento, um povão de Deus mesmo.
Mas existe também uma minoria cristã que prefere sair da “rotina gospel” e fazer uma música mais subjetiva e pessoal. Na verdade tenho visto cada vez mais bandas adotando o estilo independente e saindo da “adoração contemporânea” e fazendo música como der na telha, sem seguir um padrão, mas não deixando de falar sobre suas conversas com Deus e suas dúvidas espirituais.

Será que eles estão enganados? Será que estão nos enganando? Será que bandas como o Switchfoot e Sixpence None The Richer estão querendo só fama e glória? Eu prefiro não ir além do que os ouvidos podem ouvir.

Reza a lenda que Jon Foreman, vocalista do Switchfoot, disse num fórum da internet:

“Existe uma cisma entre o sagrado e o secular em nossas mentes modernas. A visão de que um pastor é mais ‘Cristão’ que um treinador de volei feminino é falsa e herética. A premissa que um lider de louvor é mais espiritual que um faxineiro é esnobe e falsa.(…) Algumas dessas [das nossas] canções são sobre redenção, outras sobre o pôr-do-sol, outras sobre nada em particular: escritas pelo simples prazer da música. Nenhuma dessas canções nasceu de novo, então por isso não existem músicas Cristãs. (…) julgando pelas Escrituras eu só posso concluir que nosso Deus está muito mais interessado em como eu trato os pobres e os oprimidos e os famintos que os pronomes pessoais que eu uso quando canto. (…) Eu tenho uma obrigação, entretanto, um débito que não pode ser pago pelas minhas decisões literárias. (…) Veja bem, uma canção que tenha as palavras: “Jesus Cristo” não é mais ou menos ‘Cristã’ que uma peça instrumental.” (notas minhas entre colchetes – leia mais clicando aqui)

Essa opinião do Jon resumiu muito do que eu já tentei organizar na minha cabeça. Talvez realmente não exista só um dom musical no corpo de Cristo, mas não dá pra colocar a agitação das músicas do Switchfoot no púlpito. E o amor aos que podem tropeçar por causa do rock? E a comunhão, onde vai parar?

Algumas igrejas americanas até tem usado músicas de bandas não cristãs no repertório do louvor (também aqui). Acho estranho, mas não tenho o que falar se o objetivo do louvor é atendido pela música, seja qual a origem tiver.

Não tenho uma opinião formada ainda sobre essa questão que levantei. Mas tenho uma visão de canções como as do Switchfoot. São canções sobre Deus, canções sobre Cristãos. Não são adoração explícitas visando a comunhão coletiva com Deus.
Eu, o Jon, e todos que pensam dessa forma podem estar errados, somos humanos mas a certeza é que compositores, intérpretes, treinadores e faxineiros podem louvar a Deus com o coração, seja o que estiverem fazendo. Só precisamos ter um norte quando falamos de adoração coletiva, precisamos ter certeza.
Mas mesmo assim, devemos fugir do preconceito que ronda nossas mentes falsamente fundamentalistas, achando que só o que é “inspirado” pode ser usado pra louvar a Deus.

Louvor, musical ou não, é algo que deve ser feito pelos seres humanos para Deus. É responsabilidade nossa, não de Deus.

Existe uma questão que acredito ser feita inconscientemente a todo momento por todo o mundo: “O que é a verdade?”.

Apesar de às vezes ser usada como argumento furado para certas correntes filosóficas populares, esta pergunta, enquanto questionamento é a mais nobre pergunta que um ser humano pode fazer a si mesmo ou a Deus. Assim nos mostra James W. Sire no livro “Hábitos da Mente”. Ele defende a idéia de que a verdade absoluta existe e pode ser alcançada pelo ser humano.

Por exemplo, de que forma enquanto cristãos, chegamos à conclusão de que aquilo no que cremos é a verdade? Segundo Sire, isso se explica porque a verdade nos acha quando a buscamos de coração, não somos nós que a encontramos.

“… se alguém realmente quer conhecer a verdade sobre Deus, se alguém realmente ama a verdade, então mais do que um vislumbre da verdade virá”.

Mostra ainda como é interessante a conexão entre o amor e a verdade nas palavras de Jesus no evangelho de João.

“… sei, entretanto, que não tendes em vós o amor de Deus. Eu vim em nome de meu pai, e não me recebeis; se outro vier em seu próprio nome, certamente, o recebereis.”(João 5:41-42)

Conclui-se assim que a corrupção humana torna extremamente difícil a aceitação da verdade, mesmo que alguém a encontre. Aquelas pessoas a quem Jesus se dirige contemplavam nEle o que elas e seus antepassados esperaram a vida toda, mas preferiam atender suas expectativas, que estavam presas àquele momento histórico de dominação romana. Mesmo buscando um rei magnífico que libertasse o peso que sentiam em suas almas, fixaram suas expectativas em um vaidoso império físico que em breve entraria em decadência.

Muitos viram Jesus morrer e não aceitaram a verdade. Alguns viram Jesus ressuscitado e não aceitaram. E outros ainda morreram sem aceitar.

Edit: leia também a parte Dois!

Aqui deveria ter uma figura.

Gente, como eu posso fazer isso com meu blog? Isso aqui é um pedaço de mim e eu aqui há tanto tempo sem escrever!

Já sendo chato, peço que aguardem. Haverá boas mudanças por aqui. Temos várias opções, uma delas é o fim deste blog. Mas ainda temos outras trilhares de chances diferentes.

Obrigado a quem passa por aqui de vez em quando. Prometo não vos decepcionar.