março 2008


Eu tenho lutado. Eu luto, luto, mas minha cabeça já está acostumada com a hipocrisia. É claro que estou falando da hipocrisia que vejo nos outros e não da minha, o que já constitui uma hipocrisia em si.

Quantos policiais já usaram do sua permissão para matar quando o acusado (nem sempre o culpado) já estava algemado? Quantas vezes o assassino da criança indefesa se tornou vítima de outros assassinos, estes antes cidadãos comuns até o momento do linchamento? E quantos de nós, em suas mentes já fizeram isso?

“Bandido tem mesmo é que morrer!” Nós temos a coragem de nos auto-entitularmos juizes e se houver a oportunidade, executores, mas não sabemos como falar do mover de Deus em nossas vidas.

Essa é a hipocrisia humana. Eu a vivo. Eu respiro isso. Mas eu sei que há esperança. E mesmo que o leitor já tenha pensado nisso, eu preciso dizer qual é: humildade.

Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.
Lucas 18:10-14

O fariseu se julgou e achou em vantagem. O publicano deixou Deus julgá-lo e se achou em grande pecado.

Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.
Mateus 7:1-5

Nós temos sido hipócritas o tempo todo. O esforço maior nós o fazemos: esconder nossas “pequenas imperfeições” debaixo do tapete.

Para sermos humildes, precisamos de uma outra pequena grandiosa qualidade: franqueza.

Que nós obedeçamos a Deus, admitamos nossas falhas abertamente e procuremos sair da nossa própria órbita.

A morte é objeto de quase toda a superstição criada no ocidente. O medo da morte é comum e quando eu era criança e falava em morte, minha mãe sempre falava: “Tá repreendido, menino!”.
A verdade é que a gente NÃO TEM IDÉIA de como encarar a morte. Não é de se culpar porque quem sabe como é morrer? Dói? Demora? Eu vou mesmo pro céu?(?)Mateus 16:24 diz: “Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” Em uma livre porém quase óbvia interpretação, se Jesus nos pede disposição para tomar a cruz, nos pede prontidão para morrer nesta mesma cruz. As tentações e dificuldades de relacionamentos que carregamos todo dia em nossa carne é o que nos faz morrer.Mas uma vez morto, o pecado não tem mais domínio sobre mim:

“Fomos, pois, sepultados com ele [Cristo] na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos, sabedores de que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele.”, Romanos 6:1-9

Tudo bem, esses versículos não falam de morte corporal, falam de morte espiritual, morte comportamental. Mas e se Deus nos chamasse hoje?

O problema com o medo da morte é que deixamos de nos preparar como se hoje fosse o último dia da nossa vida. E o primeiro versículo quer dizer exatamente isso.
Jesus diz em Mateus 24:42: “Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor.”

A música “All My Tears” de Julie Miller, gravada recentemente pela banda Jars of Clay é a abordagem mais madura sobre morte que já vi. Minha tradução livre é assim:

“Quando eu me for, não chore por mim
Nos braços de meu pai eu estarei
As feridas que esse mundo deixou na minha alma
Serão todas curadas, estarão todas saradas
Sol e lua serão substituidas
Pela luz da face de Jesus
E eu não vou me envergonhar
Pois meu salvador sabe meu nome
Não importa onde me enterrarem
Eu estarei em casa e estarei livre
Não importa onde eu descanse
Todas minhas lágrimas serão eliminadas
Ouro e prata cegam os olhos
Tesouros passageiros enganam
Venha e coma do celeiro do céu
Venha e beba e não mais terá sede
Então não chore por mim meu amigo
Quando minha hora aqui embaixo chegar
Pois minha vida pertence a Ele
Que vai ressuscitar os mortos”

Essa música estará em anexo ao meu testamento, quando eu tiver um, se Deus assim permitir.

“Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.”
Filipenses 1:21

E quem promete nunca mais se assustar e correr como uma galinha quando falarem em morte, levanta a mão!