Cada geração da humanidade tem seus pontos de dificuldade para seguir a Palavra de Deus. Olhando para minha própria vida e a vida de outros jovens cristãos, observei que as coisas que estão faltando na nossa vida para sermos mais santificados são simples. Essa série de posts vai discutir quais são esses pontos, começando pelo ponto mais visível e importante:

Compromisso – duma geração na qual foi criado o “ficar” não se espera muito compromisso. De um ano pra cá não se fala tanto mais no ficar, mas isso é porque já é parte da nossa sociedade, o famoso “isso é normal”. O sexo casual já é abertamente apologizado na televisão e na internet. E os motivos são os mais banais possíveis, como “eu tenho livre-arbítrio” ou “preciso conhecer tal pessoa melhor”.

Essa moda, assim como toda tendência contra a boa moral que aparece por aí, com certeza tentará entrar na igreja, e não exatamente da forma que aparece no mundo. A geração do ficar já transparece em vários cargos dentro das igrejas. Mesmo sendo profissionais exemplares, estudantes dedicados, filhos adoráveis, estamos negociando o horário do ensaio do louvor para assistir o treino da fórmula 1. Estamos reduzindo o ensaio do coral pra poder passar daquela fase tão difícil do jogo de tiro em primeira pessoa no computador. A Escola Bíblia Dominical tá quando a gente estudava o ensino médio: em vez de aprender, a gente só consegue lutar contra o sono, “pescando” o tempo todo, isso por causa da maratona de seriados que fizemos sábado a tarde varando até a madrugada.

Tudo, tudo, tudo serve de barreira pra gente não fazer aquilo que a gente sempre promete fazer durante a oração da Santa Ceia. E a cena se repete todo mês, num misto de arrependimento e malandragem com Deus. A gente só consegue enganar a nós mesmos.

O compromisso não coloca a si mesmo como alvo. O compromisso simplesmente faz o que tem que fazer, na hora que tem que ser feito, do jeito que foi combinado. O compromisso é compromisso o tempo todo. Na vida dentro da Igreja e fora também. Nós somos jovens velhos que são facilmente convencidos de que “tem alguma coisa melhor pra fazer agora do que o meu compromisso” e continuamos sentados, sem cumprir o compromisso, nem fazer qualquer outra coisa que pareca importante. E, como sempre, o pecado não só afeta a vida espiritual de todos, mas também a vida física, o cotidiano. E o mundo continua decadente. E a culpa ainda é nossa.

Algumas igrejas continuam enchendo, apesar disso tudo. Mas a palavra correta é “inchando”. Devemos comemorar os milhares de jovens que estão na igreja, mas continuam pegando aquela baladinha na sexta à noite? Devemos culpá-lo ou nos sentirmos culpados pelo irmão que a gente sabe que bebe aquela cervejinha no final de semana? O “tem nadavê” tá relacionado à hora em que costumamos chegar na igreja? Porque me parece que “libera geral, o que importa é minha vida com Deus” que tá rolando aí pelas igrejas me parece ainda menos bíblico que o velho e saudoso “isso é não é coisa de crente, é coisa do diabo!”?

Há muito a se falar sobre o compromisso, mas sei que temos exemplos demais e todos são muito claros. A negociação de verdades bíblicas faz a gente perder a pontualidade, a valorização, a frequência à Igreja e nos coloca alguns passos mais perto da falsa liberdade oferecida pelo mundo.

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