Ontem indo pra faculdade escuto um outro passageiro: “Você não pode ser bom demais com as pessoas, senão você se dá mal.” Já tinha ouvido isso várias vezes, e isso sempre me intrigou.

Imagine a cena: uma pessoa se dispõe a ajudar outra e acaba perdendo centenas de reais nessa empreitada. Ela se decepciona porque a outra pessoa correspondeu diferente do que ela esperava, então ela decide ser “menos bom”, ajudar só pela metade a partir de agora. Isso tem sentido pra vocês?

Eu entendo que ninguém quer ser lesado de graça, sem que haja nenhuma consequência positiva para si mesmo ou para a pessoa ajudada. Mas quando você se propõe a ser bom, não se pode ser meio bom. Não tem como. Ou se tenta ser mal pra justificar a maldade dos outros, ou se é bom por completo.

Este conceito ocidental de mal-bem é ainda mais confuso que o conceito oriental de yin-yang aplicado ao comportamento humano. O pensamento ocidental comum pode ser exemplificado assim:

A parte totalmente vermelha à esquerda é a maldade, a parte totalmente verde à direita é a bondade e o meio é um meio termo entre as duas. A maioria das pessoas quer ficar próximo da linha branca da direita, que seria o “não ser bom demais”. Só que não é isso que Deus quer de nós.

Quando um homem tentou se aproximar de Jesus enquanto ele estava na Judéia, e o chamou de “Bom Mestre”, ele disse que ninguém é bom senão Deus. Então, quando pensamos que estamos sendo bons, ainda estamos na verdade muito longe disso. E se mesmo assim acharmos que estamos no ponto mais alto da bondade quando ajudamos alguém por vontade própria, temos que lembrar da Vingança da Outra Face.

A gente não faz nada importante ainda acha que tá fazendo muito! Cruze a linha branca (para a direita)!

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